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Exposição | A HOUSE FOR NO ONE

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

07 a 09 de Novembro de 2024

Vista de exposição. Fotografia: Bruno Lopes



EXPOSIÇÃO COLECTIVA:

Magali Magistry, Maria Renée Morales Lam, Susana Rocha


TEXTO:

Susana Rocha



Há uma infiltração no teto, alguns canos expostos,

telhados de vidro e espaços assombrados... De algum modo, isto é uma casa.


Há algum tempo atrás, pensava numa canção infantil de Vinicius de Moraes sobre uma casa engraçada - não tinha teto/não tinha nada, não se podia dormir em redes porque a casa não tinha paredes – porém com o avançar da melodia também se explica que a sua construção foi feita com muito esmero, na rua dos tontos, no número zero*.


Quase todas as crianças em Portugal aprendem esta canção desde muito cedo... Como se a miséria fosse um conceito curioso ou difícil de compreender quando ouvido de uma criança que canta. É uma música um tanto sinistra... mas com uma verdade inabalável... Casa e lar são dois conceitos diferentes, embora se sobreponham.

Se a primeira nasceu da necessidade de abrigo estrutural e de proteção primordial, a segunda dá-se por uma necessidade emocional – e, nesta equação, tem definitivamente um valor superior.


No centro desta exposição estão colaborações que se tornam amizades e amizades que se estenderam em colaborações. Foi construída uma casa, mas também um lar. Não é por acaso que as obras apresentadas são de artistas com histórias de realidades desenraizadas, de maternidade e de um fazer com as mãos. Esta é uma casa para ninguém... mas, pode adivinhar-se que, é também algo mais.


Estes espaços nucleares - estas casas, estes lares - estão no centro do nosso crescimento e parecem ressoar dentro de nós antes e depois de crescermos... Construímos novas casas, com o que foi impresso em nós e com o que encontramos pelo caminho. Colecionamos janelas, como espaços de respiração; mantemos os nossos sótãos tão organizados quanto podemos - se pudermos; pensamos em canos como veias que permeiam o espaço.


Poderíamos também refletir sobre a nossa macro casa, num mundo que é cada vez mais assustador. Poderíamos pensar na cidade, na sua arquitetura e nos estendais suspensos... nos ocupantes de cada casa, nas suas histórias e superstições que passam de geração em geração.

Mas por hoje, talvez seja suficiente apenas brincar entre as luzes e as sombras de um espaço expositivo.



*“A Casa”, Vinicius de Moraes: Era uma casa muito engraçada / Não tinha teto, não tinha nada / Ninguém podia entra nela não / Porque na casa não tinha chão / Ninguém podia dormir na rede / Porque na casa não tinha parede / Ninguém podia fazer pipi / Porque pinico não tinha ali / Mas era feita com muito esmero / Na Rua dos Bobos, número zero / Mas era feita com muito esmero / Na Rua dos Bobos, número zero.





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