NAIRA PENNACCHI
ATELIER 06
www.nairapennacchi.com
@naira_pennacchi
nairapennacchi@gmail.com

NAIRA PENNACCHI
"Faca amolada", 2024
​Vídeo cor, mudo, 5’39”
Material produzido no Piauí.
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Naira Pennacchi é artista visual desde 2016. Vive e trabalha entre Ribeirão Preto (SP) e Lisboa, capital portuguesa. Sua produção concentra-se predominantemente na pintura, expandindo-se também para outras linguagens como vídeo, objeto, instalação, desenho e obras sonoras.
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A artista investiga questões vernaculares a partir do resgate da cultura imaterial do interior de um território, trabalhando questões de preservação ecológica, do saber popular e das práticas ligadas ao feminino. Por meio de cores vibrantes, constrói na pintura uma paisagem íntima que sustenta e reverbera nos demais meios, fornecendo repertório e continuidade para a criação de instalações, objetos e sons. Em seu trabalho, gesto, cor, som e matéria operam como dispositivos de memória e pertencimento, configurando um sentido composicional singular que atravessa e conecta as diferentes linguagens que explora.
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Em abril de 2025, lançou seu livro homônimo na SP–Arte, pela Editora Martins Fontes, reunindo um compilado de sua produção artística desenvolvida ao longo dos últimos dez anos, consolidando um percurso marcado pela transversalidade entre linguagens e pela investigação contínua de memória, território e pertencimento.
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Naira Pennacchi teve projetos autorais contemplados pela Lei Rouanet, resultando em uma itinerância realizada no Espaço de Arte Eny Aliperti, em Ribeirão Preto (dezembro de 2025), na Pinacoteca de Botucatu (abril de 2025) e no Museu FAMA (julho de 2025). A artista também foi selecionada em editais públicos, entre eles os do Museu de Arte Contemporânea de Campinas José Pancetti (2022), Museu de Arte de Blumenau (2021), 18º Programa de Exposições do MARP (2021) e Mostra Museu (2021), entre outros.
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Em 2019, participou de residência artística no Centro de Arte Contemporânea W. Entre as exposições coletivas das quais participou, destacam-se Paisagem Zero(Nowhere, Lisboa, Portugal, 2025, curadoria de Cristiana Tejo), SA paisagem é um verdadeiro comboio em movimento (Galeria Izabel Pinheiro, São Paulo, 2025), Somatória (MARP, 2025, curadoria de Élcio Miazaki), Sobre Planetas, Edílios e Miudezas (AM Galeria de Arte, São Paulo, 2023, curadoria de Mario Gioia), Projeto Portfólio (AM Galeria de Arte, Belo Horizonte, 2023, curadoria de Guilherme Bueno), Breves Narrativas de Sonho (Casa da Luz, São Paulo, 2020, curadoria de Mario Gioia) e Interiores (Centro de Arte Contemporânea W, Ribeirão Preto, 2018, curadoria de Josué Mattos), além das exposições realizadas em conjunto com os artistas do Ateliê da Praça, grupo de estudos da cidade onde vive, como Ao Redor (2020).

NAIRA PENNACCHI
"Treliça", 2025,
Biombo de madeira bordado com lã.

NAIRA PENNACCHI
"Campo Permeável", 2022
​óleo sobre tela
155 x 160 cm

NAIRA PENNACCHI
"Ptéu", 2024
​óleo sobre tela
31 x 23 cm
Como descreverias a tua prática?
Trabalho a partir das cores — elas são o primeiro impulso, o ponto de partida que me permite saltar da tela e habitar outras mídias. Minhas investigações atravessam a memória, o feminino, o território e as heranças populares, como camadas que se sobrepõem e permanecem.
Interessa-me o campo das cores e suas relações silenciosas, assim como tudo aquilo que o material — e até mesmo o som — é capaz de tocar em mim. As mídias se apresentam como ferramentas de escuta e experimentação; o tridimensional, cada vez mais presente, expande o corpo do trabalho, assim como os vídeos.
Lições da Pedra permanece latente, um exemplo de como trabalho mídias diversas para contar uma história. Uma itinerância realizada no Brasil, atravessando três cidades do interior do estado de São Paulo, em diálogo com o lançamento do livro — acontecimentos que ainda reverberam, como matéria em suspensão.
Ou seja, minha prática é esse movimento todo, experimentações, processo, pesquisa, escrita, execução e troca, tudo sai meio que daqui, vai pra fora e depois volta de novo.
A partir daqui, inicia-se uma nova rodada. Tudo recomeça, ainda que de outras formas: outras histórias a contar, novos instrumentos a tocar.-
Em que está a trabalhar agora?
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Estou trabalhando em um novo conjunto de pinturas, pensado como uma composição mais numerosa. Ainda assim, como acontece recorrentemente no meu processo, talvez a primeira forma a se tornar visível seja a de um objeto ou de uma instalação. As ideias não surgem isoladas: uma coisa chama a outra, como se os trabalhos se puxassem mutuamente, abrindo caminhos e pedindo continuidade.
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Quais são os teus objectos/materiais/ferramentas favoritas no teu estúdio?​
Com certeza a tinta, seja ela dura, mole, seca, em bastão, óleo ou acrílica.
O que é uma obra de arte "boa" na tua opinião? Porquê?
Se podesses sugerir um livro, uma música, uma obra, um filme, que se pudesse relacionar com o teu trabalho, qual seria? Porquê?
Sugiro Educação pela Pedra, de João Cabral de Melo Neto, porque sua poética atravessa o mundo concreto do material, do objeto e do território. Assim como a pedra em sua obra, meu trabalho investiga a presença física, a resistência e a densidade de cada gesto — seja no fio, no tecido ou na tinta. João Cabral nos ensina a olhar para o essencial, a compreender a força da matéria e a construir sentido a partir do encontro entre linguagem e experiência. Seu rigor e atenção à forma, aliados à potência simbólica do que é cotidiano e popular, ressoam com minha própria busca: transformar materiais simples e cotidianos em memória, narrativa e território, desdobrando possibilidades infinitas de vir ao mundo.
Como é que ter um estúdio na Duplex te ajuda na tua prática?
Ter um estúdio no duplex contribui profundamente para a minha prática artística, pois é ali que me sinto em equilíbrio, disponível e atravessada pela vontade de criar. O espaço se torna extensão do corpo e do pensamento, um lugar onde o tempo as vezes desacelera e o trabalho pode acontecer com escuta, presença e liberdade. Estar junto de artistas, amigos, ver a movimentação dos residentes, pode contribuir com o coletivo e ainda ter um espaço expositivo que abraça mostras na cidade de Lisboa, é demais.
